Vale S.A. (VALE3)
A Vale é uma das maiores mineradoras do mundo, líder global em minério de ferro e pelotas, com operações também em níquel e cobre e logística associada.
Setor: Extração Mineral · Cotação: R$ 75,41 (fechamento 24/07/2026) · Dividend Yield (12m): 7,26% · Faixa 52 semanas: R$ 52,37 – 91,62
Análise completa de VALE3 (produzida pelo site com IA, 22/07/2026)
Nota: 6.5/10 · Veredito: MANTER · Preço justo estimado: R$ 77,00 (faixa R$ 60,00–95,00)
A VALE3 é a maior mineradora do Brasil e a segunda maior produtora de minério de ferro do mundo, dona de um ativo que não se replica: Carajás, o minério de maior teor entre os grandes produtores. O 2T26, divulgado em 21/07/2026, foi o melhor segundo trimestre em minério desde 2018 — 84,3 Mt de produção (+0,8% a/a), 79,7 Mt de vendas (+3,1%), preço realizado de US$ 95,0/t (+11,6% a/a) e recordes em cobre e níquel.
Só que o preço da ação não é feito de produção — é feito de preço de minério, câmbio e confiança na governança, e os três estão contra hoje. O minério ronda US$ 100/t com superávit estrutural e Simandou entrando em cena; o real a R$ 5,08 empurra o custo C1 para o topo do guidance (a Vale já avisou); e a companhia elege o presidente do Conselho hoje, 22/07/2026, numa assembleia que virou disputa pública entre a Previ, o Conselho, acionistas minoritários e a própria CVM. Nota 6,5/10 — MANTER: preço justo estimado de R$ 77,00 (faixa R$ 60-95), potencial de +6,6% mais um dividendo esperado de ~5,7%. Retorno decente, mas que no cenário base não bate a Selic de 14,25% — e por isso pede preço melhor, não pressa.
Visão geral
A Vale tira minério de ferro do chão no Brasil e vende principalmente para a China, que transforma em aço. Ela também produz cobre e níquel. É a maior empresa de mineração do país e uma das maiores do mundo — quase 11% de todo o Ibovespa é Vale.
Antes de tudo, uma correção importante: muita gente ainda procura por "Vale 4" ou "Vale 5". Essas ações não existem mais desde dezembro de 2017, quando a Vale acabou com as preferenciais, converteu todo mundo em ação ordinária e entrou no Novo Mercado. Hoje existe um ticker só: VALE3. Quem tinha VALE5 virou dono de VALE3 automaticamente. Lá fora, na bolsa de Nova York, a mesma ação é negociada como ADR sob o código VALE.
Como está a empresa hoje? A operação vai bem — o trimestre que acabou de ser divulgado foi o melhor abril-junho em minério desde 2018. O que preocupa é o resto: o preço do minério de ferro está em queda de braço perto de US$ 100 a tonelada, com uma mina gigante na África (Simandou) começando a jogar mais minério no mercado; o dólar barato (R$ 5,08) machuca, porque a Vale recebe em dólar e paga custo em real; e há uma briga aberta pelo comando do Conselho de Administração, com o fundo de pensão do Banco do Brasil de um lado, parte do Conselho do outro, e o assunto já na mesa da CVM.
A R$ 72, a ação paga cerca de 5,7% de dividendo esperado para os próximos 12 meses e tem, pela nossa conta, uns 7% de espaço até o preço justo. Somado, dá algo em torno de 12% — menos do que a poupança do governo (Selic a 14,25%) paga sem risco nenhum. Por isso o veredito é manter, não correr para comprar: quem já tem, faz sentido segurar e receber os dividendos; quem não tem, tem pouco a perder esperando ou o preço cair mais, ou o minério e a governança darem um sinal claro.
Tese de investimento
A tese de VALE3 é ativo de classe mundial com preço-teto imposto de fora. Do lado bom: Carajás não se replica, a operação está entregando (melhor 2T em minério desde 2018), o custo está entre os mais competitivos do mundo quando o câmbio ajuda, e a companhia devolve caixa por política — mínimo de 30% do EBITDA menos capex de sustentação, em duas parcelas por ano.
Do lado ruim: três tetos simultâneos. (1) O minério em superávit, com consenso de ~US$ 95/t para 2026 e viés de baixa, agora com Simandou (Guiné, 65% Fe) entrando na oferta global. (2) O real forte a R$ 5,08, que empurra o C1 para o topo do guidance — a própria Vale avisou no release do 1T26 que os custos tendem à parte alta das faixas de US$ 20-21,5/t (C1) e US$ 52-56/t (all-in). (3) A governança em disputa aberta, com o Conselho sendo decidido em assembleia sob consulta à CVM.
O investidor não está comprando crescimento — está comprando um fluxo de dividendos de ~5,7% ao ano de uma empresa cíclica, num país com Selic a 14,25%. É uma boa empresa num momento em que o dinheiro parado rende quase o mesmo sem risco.
Pontos fortes
- Carajás: o melhor minério do mundo em escala. O Sistema Norte produz minério com ~65% de teor de ferro e baixa alumina — a siderurgia paga prêmio por isso porque gasta menos energia e emite menos carbono. No 2T26, o S11D bateu recorde para um segundo trimestre com 23,4 Mt. É um ativo que nenhum concorrente australiano tem e que leva décadas e dezenas de bilhões para replicar.
- Operação entregando de verdade — não é discurso. 2T26 foi o melhor segundo trimestre em minério desde 2018 (84,3 Mt), o melhor em cobre desde 2017 (98,4 kt) e o melhor em níquel desde 2020 (42,0 kt). Todos os guidances de 2025 foram atingidos ou superados. Capanema e VGR1 estão em ramp-up e Serra Sul +20 parte no 2º semestre. Execução operacional é o argumento mais forte da atual gestão.
- Máquina de caixa com política de distribuição escrita. A política de remuneração obriga o mínimo de 30% do EBITDA ajustado menos investimento corrente, em duas parcelas (setembro e março), com JCP em dezembro. Não depende de humor da administração. Nos últimos 12 meses foram R$ 5,48/ação — 7,58% sobre o preço atual — e o fluxo de caixa livre recorrente de 2025 foi de US$ 4,76 bi.
- Balanço que aguenta o ciclo. Dívida líquida de US$ 13,6 bi e expandida (incluindo todas as provisões de Brumadinho e Samarco) de US$ 17,8 bi, contra um EBITDA proforma de ~US$ 16 bi/ano — cerca de 1x. Patrimônio líquido de R$ 195,9 bi e caixa de R$ 26,5 bi no 1T26. A empresa pode atravessar um ciclo ruim de minério sem risco de solvência.
- Metais básicos como opcionalidade real. Cobre e níquel já respondem por ~28% do EBITDA e a meta é um terço. O preço realizado de cobre saltou 56,5% a/a no 2T26 (US$ 14.062/t) e o custo all-in do níquel caiu 48% a/a. A sócia saudita Manara entrou em 2023 a um valuation implícito de US$ 26 bi pela divisão, e um eventual IPO destravaria valor que hoje o mercado não paga.
- Corporation de verdade, com 96% de free float. Não existe controlador: o maior acionista é a Previ com 7,02%, seguida de BlackRock (6,71%), Mitsui (6,45%) e Capital World (5,13%). São 762 mil pessoas físicas na base. Novo Mercado, auditoria PwC desde 2019, conselho fiscal permanente eleito por minoritários. No papel, é uma das melhores estruturas de governança da bolsa — o que torna a crise atual ainda mais frustrante.
Pontos fracos
- Zero controle sobre o preço do próprio produto. A Vale é tomadora de preço. O índice de referência mudou de 62% para 61% Fe em 2026 e ronda US$ 99-100/t, com consenso de mercado em ~US$ 95/t para o ano e viés de baixa. Quem define é a demanda siderúrgica chinesa — e a produção de aço da China caiu 3% no 1º semestre de 2026, no segundo ano consecutivo abaixo de 1 bilhão de toneladas.
- Custo subindo enquanto o dos concorrentes não sobe. O C1 foi a US$ 23,6/t no 1T26 (+12% a/a) por causa do real forte, e a companhia sinalizou que o ano deve fechar no TOPO do guidance (US$ 20-21,5/t no C1, US$ 52-56/t no all-in). Para comparar: Fortescue opera com US$ 17,5-18,5/t e BHP com US$ 18-19,5/t. Os australianos não sofrem com o real — a Vale está estruturalmente na parte mais cara desse quarteto.
- Governança sequestrada por uma disputa pública. Em 11/06/2026 a Previ (7,02%) exigiu assembleia para destituir o presidente do Conselho, Daniel Stieler. O Conselho recomendou rejeitar. Stieler renunciou em 06/07. Um interino foi eleito em 14/07. E hoje, 22/07, os acionistas escolhem entre dois conselheiros — com a CVM tendo emitido ofício em 20/07 após consulta de dois acionistas minoritários questionando a própria legalidade da votação. Isso é ruído institucional puro, e ruído afasta capital estrangeiro.
- O passivo de Mariana e Brumadinho ainda consome caixa por décadas. Só em 2026 a contribuição da Vale para a reparação de Mariana é de R$ 6,2 bilhões, mais US$ 0,9 bi de Brumadinho e US$ 0,7 bi de descaracterização de barragens — algo em torno de US$ 2,7 bilhões, mais da metade do fluxo de caixa livre recorrente de 2025. O cronograma se estende até 2043. E o julgamento em Londres contra a BHP, sócia da Samarco, pode ainda ampliar a conta por via indireta.
- Lucro contábil volátil e cheio de armadilha. Impairment de US$ 3,5 bi no níquel canadense no 4T25, provisões da Samarco revisadas todo trimestre, ajustes de preço provisório em cobre e níquel. O resultado publicado raramente é o resultado econômico — o investidor que olhar só o P/L do site vai concluir que a Vale está cara a 20x lucro, quando na base recorrente ela negocia perto de 8x.
- Simandou muda o jogo do prêmio de qualidade. A mina guineense entrega minério de ~65% Fe, exatamente a faixa em que Carajás é premium. O primeiro embarque foi em novembro de 2025 e as estimativas para 2026 vão de 16 a 20 Mt, rumo a 120 Mt/ano lá pela década de 2030. O ramp-up parece estar atrasando (a RBC revisou de 30 para 48 meses), o que é bom no curto prazo — mas a direção estrutural é uma só: mais concorrente na única faixa em que a Vale tem vantagem.
Riscos
- Interferência política na companhia. É o risco nº 1 hoje e o menos precificável. Um fundo de pensão de banco estatal forçou uma assembleia para trocar o comando do Conselho; parlamentares falam em CPI para investigar interferência do governo; e a CVM foi acionada por minoritários. O problema não é o nome que vencer hoje — é o precedente de que a composição do Conselho da maior mineradora do país volta a ser assunto de Brasília. Isso afeta diretamente política de dividendos, disciplina de capex e o múltiplo que o estrangeiro aceita pagar.
- Minério em superávit estrutural. Produção de aço chinesa em queda (-3% no 1S26), estoques nos portos da China em ~160 Mt (máxima de mais de três anos) e nova oferta africana entrando. O consenso de ~US$ 95/t para 2026 já embute isso; o risco é o cenário em que o preço rompe para baixo dos US$ 85/t. Cada US$ 10/t a menos no preço realizado tira, grosso modo, mais de US$ 3 bilhões de EBITDA anual da Vale.
- Câmbio: real forte comprimindo margem. A R$ 5,08, o real está no ponto mais desfavorável para a Vale em anos. A própria companhia divulga a sensibilidade: cada R$ 0,10 de variação move o C1 em US$ 0,25/t. Um real a R$ 4,80 adicionaria cerca de US$ 0,70/t ao custo — sobre 320 Mt, é dinheiro de verdade. E, ao contrário do preço do minério, esse é um risco que anda na direção contrária do que a maioria dos investidores brasileiros torce.
- Passivos de barragens além do provisionado. A justiça inglesa já reconheceu a responsabilidade da BHP no caso Mariana e negou o recurso. A fase de quantificação de danos ainda vai correr, e como a Samarco é uma joint venture 50/50 entre Vale e BHP, existe caminho para a conta respingar. O saldo provisionado de Brumadinho e descaracterização era de US$ 4,0 bi em dez/2025 — números novos podem aparecer.
- Concessões ferroviárias e agenda regulatória. A repactuação das concessões da Estrada de Ferro Carajás e da Vitória a Minas — as ferrovias sem as quais a Vale não escoa nada — envolve outorga bilionária à União e novos investimentos, e o texto final ainda depende de aval do TCU. Ferrovia própria é a maior vantagem competitiva da Vale; qualquer solução ruim aí mexe na estrutura de custo por décadas.
- Dividendo menor do que o retrovisor sugere. O DY de 7,58% dos últimos 12 meses embute distribuição maior que a esperada para frente. Com dívida líquida expandida em US$ 17,8 bi, R$ 6,2 bi de Mariana só em 2026 e capex de US$ 5,4-5,7 bi, não há espaço confortável para dividendo extraordinário este ano. E, desde 01/01/2026, há retenção de 10% de imposto na fonte sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês pagos pela mesma empresa à mesma pessoa física — o que reduz o líquido de quem tem posição grande.
Cenários
Otimista: Minério segura, real cede e a governança se acalma
Base: Anda de lado ganhando dividendo
Pessimista: Superávit se materializa com o Estado dentro de casa
Valuation
Antes dos métodos, é preciso desarmar a armadilha: o P/L de 20,6x que aparece nos sites está errado como termômetro. Ele divide o preço por um lucro de 12 meses contaminado pelo prejuízo de US$ 3,8 bi do 4T25 (impairment do níquel). Na base recorrente — o lucro proforma de US$ 7,8 bi em 2025, ou os R$ 10,0 bi só do 1T26 — VALE3 negocia perto de 8x lucro e 5,1x EV/EBITDA. Não é uma ação cara. Mas também não está no fundo do poço: em 2024 e 2025 ela negociou abaixo de R$ 55 com múltiplos parecidos.
Cruzando quatro métodos, chegamos a uma faixa de R$ 75 a R$ 78, com ponto central em R$ 77,00 — potencial de +6,6% sobre R$ 72,24, mais um dividendo esperado de ~5,7%. O consenso das casas para o ADR está em torno de US$ 17,26 (equivalente a ~R$ 88 por ação), com máxima de US$ 21 e mínima de US$ 14,80 — a maior dispersão do ano, sinal de que ninguém tem convicção. Nosso número fica deliberadamente abaixo do consenso porque incorporamos dois fatores que os modelos de sell-side tratam como ruído: o câmbio a R$ 5,08 (que o mercado insiste em modelar acima de R$ 5,50) e o desconto de governança, que voltou a ser real.
- EV/EBITDA sobre EBITDA normalizado: R$ 77,00 — EBITDA proforma de 2026 estimado em US$ 16,0 bi (1T26 realizado de US$ 3,9 bi, 2S sazonalmente mais forte) × múltiplo-alvo de 5,3x — abaixo dos 5,5-5,9x dos pares BHP e Rio Tinto, para refletir risco-país e risco político. EV de US$ 84,8 bi menos dívida líquida expandida de US$ 17,8 bi = equity de US$ 67,0 bi, convertido a R$ 5,078 e dividido por 4,439 bi de ações.
- P/L sobre lucro recorrente: R$ 76,00 — Lucro proforma normalizado de meio de ciclo de US$ 7,8 bi (igual ao realizado em 2025, que já é um ano de preço normalizado) = R$ 39,6 bi, ou R$ 8,92 por ação, multiplicado por 8,5x — múltiplo típico de mineradora diversificada em ciclo neutro. Abaixo dos 10-12x que o mercado pagou nos anos de preço em alta.
- Dividend yield exigido: R$ 75,00 — Provento esperado de R$ 4,15 por ação nos próximos 12 meses (política mínima de 30%, sem extraordinário) sobre um DY exigido de 5,5%. O yield exigido é baixo em relação à Selic de 14,25% porque incorpora a valorização esperada do ativo real e a proteção cambial — se o investidor exigir 6,5%, o preço justo cai para R$ 64.
- P/VP × qualidade do ativo: R$ 78,00 — Valor patrimonial de R$ 43,07 por ação (patrimônio de controladores de R$ 191,2 bi no 1T26 ÷ 4,439 bi de ações) × 1,8x. A Vale negociou entre 1,2x e 2,5x o patrimônio na última década; 1,8x é o meio da faixa e reflete um ROE recorrente perto de 20% sobre o patrimônio contábil.
- Referência: consenso das casas (ADR): R$ 87,60 — Alvo médio de US$ 17,26 para o ADR VALE em Nova York (13 recomendações de compra, nenhuma de venda), convertido ao PTAX de R$ 5,078. Faixa das casas: US$ 14,80 a US$ 21,00. Morgan Stanley rebaixou para neutro em 08/07/2026 com alvo de US$ 16,50. Usado apenas como sanity check — não entra na média.
Momento
Onde estamos no ciclo: no meio do caminho, e é justamente isso que torna a decisão difícil. A ação saiu de R$ 91,62 (máxima em fevereiro de 2026) para R$ 72,24 — queda de 21% —, mas ainda está 38% acima da mínima de 52 semanas (R$ 52,37) e acumula alta de mais de 30% em 12 meses. Não é fundo de pessimismo nem euforia: é reprecificação em andamento.
Três relógios correm ao mesmo tempo. O institucional bate hoje, 22/07, na assembleia que define o Conselho. O operacional bate em 30/07, com o resultado financeiro do 2T26 — e a atenção não deve ir para produção (que já sabemos que foi ótima), e sim para custo: o C1 vai confirmar o topo do guidance? O ciclo bate mês a mês, no índice do minério e nos estoques dos portos chineses.
Como agir: para quem já tem, não há motivo operacional para vender — a empresa está entregando e paga dividendo. Para quem não tem, a assimetria hoje é morna: 6,6% até o preço justo mais 5,7% de dividendo, contra uma Selic de 14,25% sem risco. O gatilho objetivo para reforçar é preço abaixo de R$ 65 ou a confirmação de que o custo não estourou o guidance — não a manchete da assembleia.
Administração — quem comanda a empresa
Nota da administração: 6.0/10
Aqui há uma separação limpa entre duas coisas que costumam ser confundidas: a diretoria executiva está entregando; o Conselho de Administração está em guerra.
A gestão executiva merece nota alta. Gustavo Pimenta, CEO desde outubro de 2024, cumpriu todos os guidances de 2025, entregou o melhor segundo trimestre em minério desde 2018, reduziu custo por dois anos consecutivos (C1 de US$ 21,3/t em 2025, -2% a/a) e manteve disciplina de capital — capex contido em US$ 5,4-5,7 bi, revisão estratégica de Thompson concluída com a Vale mantendo só 18,9%, e nenhuma aquisição de vaidade. A diretoria estatutária foi enxugada de 9 para 6 membros entre 2023 e 2026.
O Conselho é o problema. Em 11/06/2026, a Previ — fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, dona de 7,02% — usou seu direito legal de acionista para convocar assembleia e destituir o presidente do Conselho, Daniel Stieler. O Conselho recomendou, por maioria, rejeitar a destituição, alegando "notória evolução na governança". Stieler renunciou em 06/07, esvaziando a votação. Em 14/07 o Conselho elegeu Wilfred Bruijn como presidente interino, com abstenção do próprio Bruijn e de Sousa Oliveira, e com voto formal em anexo do vice-presidente Marcelo Gasparino. E hoje, 22/07/2026, a assembleia escolhe entre dois conselheiros para presidir o colegiado: Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, apoiado pela Previ, e Marcelo Gasparino, o atual vice. Em 20/07, a CVM emitiu o Ofício nº 196/2026 a pedido de dois acionistas minoritários (Geração L. Par e Banco Clássico) que questionam a própria validade da eleição — já que os itens da pauta eram condicionados a uma destituição que a renúncia tornou sem efeito.
O que isso significa na prática: a estratégia provavelmente não muda — os dois candidatos são conselheiros de carreira que apoiam a gestão atual. O que muda é o preço que o investidor cobra pelo risco institucional. Uma corporation com 96% de free float que decide sua liderança sob ofício da CVM e com o Congresso falando em CPI não é a mesma empresa que fez a transição para o Novo Mercado em 2017.
- Gustavo Duarte Pimenta — Diretor-Presidente (CEO). Economista. Era o CFO da própria Vale desde 2021; antes, VP de Estratégia e M&A do Citigroup e CFO global da AES. Perfil de finanças e alocação de capital, não de mina. Sua marca até aqui é continuidade disciplinada: entrega de guidance, corte de custo e recusa a crescer por aquisição.
- Marcelo Feriozzi Bacci — VP Executivo de Finanças e Relações com Investidores (CFO e DRI). Administrador, veio da Suzano, onde foi CFO por quase uma década e é creditado pela disciplina financeira na fusão com a Fibria. Assina todos os comunicados da companhia ao mercado, incluindo os da crise societária atual.
- Wilfred Theodoor Bruijn — Presidente do Conselho de Administração (interino, independente). Matemático, conselheiro independente. Foi eleito como solução de travessia após a renúncia de Stieler, por maioria e com sua própria abstenção — um sinal de cuidado formal num ambiente em que cada voto está sendo lido com lupa.
- Marcelo Gasparino da Silva — Vice-Presidente do Conselho de Administração (independente) · candidato à presidência. Advogado, um dos conselheiros profissionais mais conhecidos do mercado brasileiro, com histórico de atuação em defesa de minoritários em várias companhias. Registrou manifestação e voto formal em anexo à ata de 14/07/2026 sobre a eleição do presidente interino.
- Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira — Conselheiro independente · candidato à presidência apoiado pela Previ. Economista, conselheiro independente. Absteve-se e se desconectou da reunião de 14/07/2026 quando o tema da presidência foi deliberado, nos termos da política de conflito de interesses da companhia — procedimento correto num processo em que ele é parte interessada.
- Conselho de Administração (13 membros) — Colegiado — 8 declarados independentes. Além dos citados: Anelise Quintão Lara, Franklin Lee Feder, Heloísa Belotti Bedicks, Rachel de Oliveira Maia e Reinaldo Duarte Castanheira Filho (independentes); André Viana Madeira, Fernando Jorge Buso Gomes, Márcio Antônio Chiumento e Shunji Komai (não independentes). Remuneração total do colegiado em 2026: R$ 23,8 milhões. A diretoria estatutária, com 6 membros, custa R$ 151,5 milhões.
Entregas verificáveis da gestão executiva: todos os guidances de 2025 atingidos ou superados; maior produção de minério e cobre desde 2018; custo caixa C1 em queda por dois anos consecutivos (US$ 21,3/t em 2025); nenhuma barragem em nível 3 de emergência — redução de 80% nas estruturas de emergência desde 2020; ramp-up de Capanema, VGR1, VBME e Onça Puma entregues; Serra Sul +20 com 86% de progresso físico e partida no prazo para o 2S26; revisão estratégica de Thompson concluída sem queimar caixa.
Falhas e pontos de atenção: o impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel do Canadá no 4T25 é o reconhecimento contábil de que a tese de metais básicos foi comprada cara demais — a Vale pagou por ativos canadenses (herança da aquisição da Inco, em 2006) que hoje valem menos nos livros. O custo C1 voltou a subir em 2026 (+12% a/a no 1T26) e a companhia já avisou que o ano fecha no topo do guidance. E a governança do colegiado, que era vendida como caso exemplar de transição para corporation, entrou em crise aberta em menos de 60 dias.
Governança, controle e liquidez
No papel, é uma das melhores estruturas da bolsa brasileira. A Vale é Novo Mercado, com ação única (100% ordinárias, tag along integral), 96,01% de free float e nenhum controlador — o maior acionista tem 7,02%. São 762 mil pessoas físicas, 14 mil pessoas jurídicas e 1.547 investidores institucionais na base. A auditoria é PwC desde 2019, o conselho fiscal é permanente e eleito por minoritários (presidido por Raphael Manhães Martins), e o colegiado tem 8 de 13 membros declarados independentes. A União mantém apenas a golden share — 12 ações preferenciais de classe especial com poder de veto restrito a mudança de sede, objeto social e denominação.
Na prática, 2026 mostrou o outro lado da corporation sem dono: quando não há controlador, quem tem 7% e determinação consegue convocar assembleia, forçar a saída do presidente do Conselho e disputar a sucessão. Foi exatamente o que a Previ fez. O resultado é que o mecanismo que deveria ser a maior qualidade da governança da Vale — capital pulverizado — virou a porta de entrada de uma disputa que já envolve o Conselho, dois grupos de acionistas minoritários, a CVM e o Congresso. Governança dispersa não é imune à política; ela apenas muda o endereço de onde a pressão chega.
- Controle: Não há controlador — corporation com 96,01% de free float
- Maiores acionistas: Previ 7,02% · BlackRock 6,71% · Mitsui 6,45% · Capital World 5,13%
- Golden share: União: 12 ações preferenciais de classe especial (veto restrito)
- Listagem: Novo Mercado (B3) · ~4,44 bi de ações ON · ADR na NYSE (VALE)
- Liquidez média diária: ~R$ 1,36 bilhão/dia — o papel mais líquido da B3
- Conselho: 13 membros, 8 independentes · presidência em disputa na AGE de 22/07/2026
- Conselho fiscal: Permanente, eleito por minoritários ordinaristas
- Auditoria: PricewaterhouseCoopers desde 2019
- Recompra: Programa de até 120 mi de ações (~3%) aprovado em fev/2025 · US$ 74 mi executados no 1T26
Conclusão
Análise produzida pelo Rico aos Poucos com ajuda de IA a partir de documentos públicos (CVM), dados de mercado e notícias. Não é recomendação de investimento.
Dados cadastrais (CVM)
- CNPJ: 33.592.510/0001-54
- Código CVM: 4170
- Setor: Extração Mineral
- Categoria CVM: Categoria A
- Sede: RIO DE JANEIRO / RJ
- Diretor de RI: Marcelo Feriozzi Bacci
- Auditor: PRICEWATERHOUSECOOPERS AUDITORES INDEPENDENTES LTDA.
- Registro CVM: 02/01/1970
- Situação: ATIVO
Dividendos por ano
- 2025: R$ 7,6190 em 3 pagamento(s)
- 2024: R$ 5,3529 em 3 pagamento(s)
- 2023: R$ 6,0778 em 3 pagamento(s)
- 2022: R$ 7,5833 em 3 pagamento(s)
- 2021: R$ 14,6486 em 3 pagamento(s)
- 2020: R$ 2,4075 em 1 pagamento(s)
- 2019: R$ 1,4144 em 1 pagamento(s)
- 2018: R$ 1,9689 em 2 pagamento(s)
- 2017: R$ 1,3255 em 2 pagamento(s)
- 2016: R$ 0,1663 em 1 pagamento(s)
Documentos recentes (CVM)
- 22/07/2026 — Fato Relevante: Vale informa deliberação de convocação de AGE para destituição de membro do Conselho de Administração
- 22/07/2026 — Assembleia: Eleição de membro do Conselho de Administração; Eleição de Presidente do Conselho de Administração
- 22/07/2026 — Assembleia: AGE 2026 - Mapa final resumido de votação
- 22/07/2026 — Assembleia: AGE 2026 - Mapa final de votação detalhada
- 21/07/2026 — Comunicado ao Mercado: Relatório de produção e vendas da Vale no 2T26
- 21/07/2026 — Comunicado ao Mercado: Esclarecimento de notícias de imprensa
- 21/07/2026 — Assembleia: AGE 2026 - Mapa sinstético consolidado de votação a distância
- 15/07/2026 — Reunião da Administração: Eleição de Presidente do Conselho até AGE
- 14/07/2026 — Reunião da Administração: Eleição de Presidente do Conselho até AGE
- 14/07/2026 — Comunicado ao Mercado: Vale informa sobre eleição do Presidente do Conselho de Administração
- 14/07/2026 — Comunicado ao Mercado: Esclarecimento de notícias de imprensa
- 14/07/2026 — Assembleia: Manual para participação
- 14/07/2026 — Assembleia: Manual para participação
- 14/07/2026 — Assembleia: Destituição de membro do Conselho de Administração||Eleição de membro do Conselho de Administração||Eleição de Presidente do Conselho de Administração
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