ALZC11 — Alianza Crédito Imobiliário FII

(ex-SIG Capital Recebíveis Pulverizados)

Recomendação: MANTER · Nota 5,8/10 · Cotação R$ 7,5 · P/VP 0,8065 · DY 12m 14,54%

Análise e recomendação

O ALZC11 combina um dividend yield anualizado de 14,54% com um desconto de 17% sobre o valor patrimonial, oferecendo uma relação risco-retorno atrativa para investidores que buscam renda mensal elevada em um cenário de Selic ainda em 15% a.a. A carteira de 27 CRIs apresenta carrego ponderado de IPCA+12,13% a.a. na marcação a mercado e diversificação robusta em 49 devedores e múltiplos estados.

Do lado crítico, o fundo tem porte patrimonial reduzido (R$ 183,6 milhões), liquidez diária de apenas R$ 177 mil e 1,7% do PL em CRIs inadimplidos (Fagnani e Casa & Vídeo). Ainda assim, a gestão da Alianza tem demonstrado capacidade técnica na reciclagem da carteira e disciplina com guidance transparente.

O veredicto é ACUMULAR: o fundo entrega rendimento consistentemente acima da mediana dos pares (12% a.m. superior), negocia com desconto patrimonial relevante e conta com programa de recompra de cotas que gera valor incremental ao cotista.

Tese de investimento

O ALZC11 é um fundo de crédito imobiliário high yield com carteira pulverizada de 27 CRIs majoritariamente indexados ao IPCA (75% do PL), com carrego ponderado de IPCA+12,1% a.a. na marcação a mercado e DY anualizado de 14,54% na cotação atual.

A tese central repousa em três pilares: (1) rendimento elevado e consistente — o fundo foi o maior pagador entre os FIIs de crédito high yield do IFIX em 2024 e segue 12% acima da mediana; (2) desconto patrimonial de 17% que amplia a margem de segurança e é atacado pelo programa de recompra; (3) diversificação robusta em 49 devedores com razões de garantia majoritariamente acima de 130%.

Para quem é

  • Investidores focados em renda mensal elevada que aceitam volatilidade e perfil mais agressivo de crédito high yield
  • Perfis moderados a arrojados que busquem exposição a CRIs indexados ao IPCA com carrego real de dois dígitos
  • Carteiras com espaço para FIIs de papel e que aceitem liquidez secundária moderada

Para quem não é

  • Investidores conservadores que priorizem preservação de capital e não toleram remarcações negativas em CRIs inadimplentes
  • Perfis que exijam alta liquidez diária, dado o volume médio de negociação de apenas R$ 177 mil/dia
  • Investidores que buscam exposição puramente imobiliária de tijolo — o ALZC11 é um fundo de papel com perfil de risco de crédito pulverizado

Pontos de atenção e riscos

CRIs inadimplidos representam 1,7% do PL

O CRI Fagnani (1,7% do PL à época) entrou em recuperação judicial e foi remarcado para 20% do PAR. O CRI Casa & Vídeo (1,3%) apresentou medida cautelar em janeiro/2026. Juntos representam 1,7% do PL atual.

Liquidez diária baixa

Volume médio diário de R$ 177 mil e valor de mercado de apenas R$ 152 milhões limitam a capacidade de entrada e saída rápida de investidores institucionais.

Concentração em loteamentos (41%)

Perfil agressivo de risco, com 41% da carteira exposta a loteamentos em desenvolvimento. Embora com garantias robustas, a performance depende do ciclo de vendas dos empreendimentos.

Porte patrimonial reduzido

Patrimônio de R$ 183,6 milhões dilui custos fixos sobre base menor que concorrentes maiores. A taxa total de 1,30% a.a. mais performance são adequadas, mas o porte ainda limita negociação com emissores.

4ª Emissão ao VP — risco de diluição para quem não exercer preferência

A gestão lançou em mai/2026 oferta restrita de R$ 100 Mi a R$ 9,32/cota (≈ VP), com período de preferência de 22/05 a 03/06/2026. Cotistas que não exercerem o direito serão diluídos patrimonialmente. A emissão ao VP (vs. cota de mercado R$ 7,49) pode pressionar o preço de tela até a acomodação.

Guidance dependente do IPCA

75% da carteira está indexada ao IPCA. Com expectativas de desinflação e IPCA médio mensal menor em 2026, os rendimentos distribuídos tendem a acompanhar a trajetória de queda, mantendo-se na faixa R$ 0,09-0,10/cota.

Cota patrimonial abaixo do IPO

A cota patrimonial de R$ 9,30 representa depreciação de 7% vs. IPO (R$ 10,00 em base 10), refletindo o efeito da marcação a mercado dos CRIs em cenário de alta de juros.

Sobre a gestora

A Alianza Gestão assumiu o ALZC11 em abril/2024, quando o fundo ainda era o SIG Capital Recebíveis Pulverizados, e em fevereiro/2025 concluiu a incorporação dos fundos ALZM11 e ALZT11, consolidando a estratégia de crédito high yield em um único veículo.

A casa também gere o ALZR11 (Alianza Trust Renda Imobiliária), FII de tijolo com mais de 170 mil investidores, demonstrando capacidade operacional e governança. A administração fiduciária é do BTG Pactual Serviços Financeiros, um dos maiores administradores da indústria.

A gestão tem demonstrado disciplina na reciclagem da carteira, divulgação transparente de guidance de distribuição e iniciou em dez/25 o primeiro programa de recompra de cotas, cancelando 308.745 cotas a desconto do VP e gerando valor patrimonial incremental aos cotistas remanescentes.

Conclusão

O ALZC11 encerra fev/2026 com patrimônio de R$ 183,6 milhões distribuído em 27 CRIs, carrego ponderado de IPCA+12,13% na marcação a mercado e DY anualizado de 14,54% — patamar 12% superior à mediana de seus pares no IFIX. A gestão da Alianza, que assumiu o fundo em 2024 e consolidou a incorporação de ALZM11/ALZT11 em 2025, tem executado disciplinadamente a estratégia de reciclagem da carteira, priorizando operações de alto carrego com estruturas robustas de garantias.

Sob a ótica fundamentalista, o fundo negocia a P/VP 0,83, oferecendo margem de segurança patrimonial de 17% sobre o valor contábil de R$ 9,30/cota. O programa de recompra de cotas, iniciado em dez/2025 e com capacidade para adquirir até 2 milhões de cotas adicionais até dez/2026, funciona como mecanismo adicional de geração de valor patrimonial para cotistas remanescentes. Os riscos principais — CRIs Fagnani (1,7% PL em RJ) e Casa & Vídeo (1,3% PL em medida cautelar) — estão mapeados, provisionados e representam parcela contida do portfólio.

Para os próximos 12 meses, o guidance oficial aponta distribuição entre R$ 0,09 e R$ 0,10/cota/mês, compatível com IPCA projetado de 4,17% a.a. e ambiente de início de ciclo de queda da Selic (15% → projetado 12,5% no fim de 2026). Em cenário de reprecificação de FIIs de crédito em direção ao valor patrimonial, há potencial de upside entre 5% e 20% sobre a cotação atual, combinado com distribuição mensal que deve totalizar R$ 1,14/cota no exercício.