ALZR11 — Alianza Trust Renda Imobiliária FII

Responsabilidade Limitada — CNPJ 28.737.771/0001-85, gestão Alianza Gestão de Recursos, administração BTG Pactual Serviços Financeiros DTVM

Recomendação: COMPRA · Nota 8,0/10 · Cotação R$ 10,38 · P/VP 0,982 · DY 12m 9,49%

Análise e recomendação

O ALZR11 chega a maio/2026 em seu melhor momento operacional da história: 26 imóveis após a 8ª emissão de R$ 447 mi, vacância 0,0%, 93% dos contratos vigentes ainda atípicos, WAULT de 9,1 anos (recorde renovado) e 200.008 cotistas. O fundo negocia próximo ao Valor Patrimonial (P/VP ~0,98) entregando DY recorrente de 9,49% isento. Com Selic em 15,00% iniciando ciclo esperado de queda, há janela para captura de spread + reprecificação patrimonial.

O RG Abr/2026 trouxe duas notícias materialmente positivas: (1) a inadimplência CDB foi resolvida à vista — locatário quitou todos os aluguéis em atraso com juros e multa, mais o aluguel do mês corrente, removendo 3,5% da receita do limbo; e (2) as obrigações futuras (CRIs + aquisições) caíram de 40,1% para 33% do PL após a integralização da 8ª emissão, com caixa total subindo para R$ 414,98 mi. O contra-ponto é o guidance da gestora para o 1S2026, que coloca o floor recorrente em R$ 0,080-0,082/cota/mês — abaixo do DPS atual de R$ 0,0836 — refletindo a diluição temporária com 164 mi de cotas enquanto o caixa da 8ª emissão ainda não foi totalmente alocado. A gestora indica upside via vendas extraordinárias (Santillana: +R$ 0,003/cota/mês por 30 meses + parcelas IPG).

O ponto crítico de governança que impede a nota de 8,5 é a AGE de 12/05/2026: aprovação de até 50% do PL em FIIs do grupo BTG/Alianza (potencial conflito de interesse) + capital autorizado de R$ 10 Bi. Soma-se a aquisição do Oscar Freire Office com contratos TÍPICOS, que quebra o mandato histórico '100% atípicos'. Veredicto COMPRA para investidores que aceitam um fundo em transição mas valorizam previsibilidade dos contratos atípicos longos com locatários AAA (Mercado Livre, Coca-Cola FEMSA, DuPont, Shopee, Fleury, DASA, Bauducco, Scala) e proteção 100% IPCA.

Tese de investimento

O ALZR11 é um fundo de tijolo defensivo e previsível, construído sobre contratos atípicos de longo prazo com locatários de primeira linha. A combinação de vacância zero, 26 imóveis diversificados, WAULT de 8,9 anos e 100% de reajuste por IPCA o torna alternativa interessante para compor a parcela de renda imobiliária de carteiras buscando proteção inflacionária.

Com a Selic em 15% a.a. iniciando ciclo de queda esperado e o fundo negociando próximo ao seu Valor Patrimonial — abaixo da média histórica de P/VP 1,2x — há janela atrativa para captura de DY corrente de 9,48% + potencial de valorização patrimonial.

Risco governança 2026: a AGE de 12/05 pode flexibilizar limites de conflito de interesse para 50% e dispensar AGE para emissões via capital autorizado R$ 10 Bi. A primeira aquisição típica (Oscar Freire) já quebrou o mandato histórico. O investidor entra hoje sabendo que o fundo está em transição e que a 'pureza' do mandato atípico não é mais garantida.

Para quem é

  • Investidores de longo prazo que buscam renda mensal isenta e previsível
  • Carteiras conservadoras de FIIs que valorizam contratos atípicos e diversificação setorial
  • Quem busca proteção contra inflação via 100% de reajuste IPCA nos contratos
  • Investidores que aceitam um fundo em transição com previsibilidade dos ativos atuais > pureza do mandato

Para quem não é

  • Investidores que buscam ganhos rápidos de capital — o fundo é de renda, não de growth
  • Quem prioriza DY de dois dígitos — fundos de papel high yield podem oferecer mais
  • Aversão a alavancagem via CRIs (40% do PL em obrigações futuras)
  • Investidores intolerantes a conflito de interesse — se AGE 12/05 aprovar 50% em FIIs do grupo, ALZR vira veículo do grupo BTG/Alianza

Pontos de atenção e riscos

AGE 12/05/2026 — Modernização do Regulamento (até 50% do PL em FIIs do grupo, conflito de interesse)

Em assembleia convocada para 12/05/2026 a gestora propôs 5 mudanças materiais: (1) ampliação dos ativos-alvo para SPEs, FIPs e FIAs setoriais imobiliários; (2) consolidação da taxa global em 1,00% a.a.; (3) capital autorizado de R$ 10 bilhões, dispensando AGE para novas emissões; (4) permissão de investir até 50% do PL em FIIs do grupo BTG/Alianza (hoje limitado a 20% para 'ativos não-alvo'); (5) inclusão de mecanismo de recompra e cancelamento de cotas com desconto sobre o VP. O ponto sensível é a flexibilização da exposição a 'casas amigas' — a comunidade compara ao caso VGHF11. Votação encerra em 27/05/2026.

Aquisição Edifício Oscar Freire Office — primeira quebra do mandato '100% atípicos'

Em nov/2025 o ALZR aprovou (via TSER11, do qual é cotista majoritário 99,85%) a aquisição do Edifício Oscar Freire Office (5,2 mil m² ABL, Jardins/SP) por R$ 132 milhões. Os contratos com Souza Cruz (BAT Brasil, R$ 781,5 mil/mês, vence abr/2032) e o restaurante Arturito (R$ 85,9 mil/mês, vence 2033) são TÍPICOS, fora do mandato histórico de '100% contratos atípicos'. Receita imobiliária do ativo ≈ R$ 867 mil/mês. Mitigação: multas rescisórias de ~18x e 16x o aluguel + aviso prévio de 6 e 3 meses, respectivamente.

Inadimplência CDB (Ana Rosa e Morumbi) RESOLVIDA — quitação integral à vista

O RG Abr/2026 confirma o desfecho positivo do estresse que afetou 3,5% da receita em fev e mar/2026: foi celebrado acordo e o locatário quitou à vista todos os aluguéis em atraso, acrescidos de juros e multa, mais o aluguel do mês corrente. O risco que poderia se prolongar como vacância de 3,5% e pressionar a DPS foi removido sem precisar consumir reserva de lucros. O caso reforça a tese de que a base de inquilinos AAA do fundo tem solvência mesmo em momentos de transição de controle societário.

Renovação contrato Atento — aluguel cai -40% a partir de jul/26

Em mar/2026 o fundo concluiu renovação do contrato com a Atento (Del Castilho/RJ) por mais 5 anos (vence agora em 2031). Mas o novo aluguel mensal cai de R$ 617 mil para R$ 350 mil a partir de jul/26 (regime de caixa) — redução de ~40% após o IPCA acumulado do contrato. O locatário passa de ~4% para 3% da receita total. Adicionalmente, o contrato passou de atípico para TÍPICO. Impacto líquido na DPS: aproximadamente -R$ 0,0019/cota/mês a partir de jul/26 (parcialmente compensado pela renda Fleury que inicia em mai/26).

Obrigações futuras (CRIs + aquisições) caem para 33% do PL pós 8ª emissão

Após a integralização total da 8ª emissão, as obrigações por CRIs (R$ 549,9 mi até 2041, IPCA+5,23% a 8,54%) + obrigações por aquisições parceladas caíram de 40,1% para 33% do PL, em linha com a projeção da gestora. Caixa total (ALZR + ADR + TSER) sobe para R$ 414,98 mi, cobrindo amplamente as obrigações de curto prazo. Relação obrigações 12 meses / receita bruta anual = 46,0%. A última parcela do CDB aquisição (R$ 15 mi) foi paga em abril, encerrando aquela linha de pagamentos parcelados.

Guidance 1S2026 floor R$ 0,080–0,082/cota — diluição temporária da 8ª emissão

Com 164,6 mi de cotas (era 127,1 mi — alta de +29,5% após a 8ª emissão), a gestora coloca o guidance recorrente do 1º semestre de 2026 em R$ 0,080 a R$ 0,082/cota/mês — abaixo do DPS atual de R$ 0,0836. A diferença é a diluição temporária enquanto o caixa de R$ 415 mi ainda não foi totalmente alocado em novos ativos com cap rate produtivo. A gestora deixa claro que o piso pode ser superado por resultados extraordinários: Santillana adiciona +R$ 0,003/cota/mês por 30 meses, e há parcelas mensais da venda do IPG. Reserva de lucros recua de R$ 0,043 para R$ 0,030/cota refletindo o ajuste de patamar.

Sensibilidade a juros — janela de entrada antes do corte de Selic

100% dos contratos são reajustados pelo IPCA (proteção inflacionária integral). Com Selic em 15,00% a.a., a cota oscila próximo do VP — abaixo da média histórica de P/VP 1,20x (em 76% dos pregões desde IPO o ALZR negociou acima do VP). O Focus projeta Selic em 11-12% em 12m, o que tende a destravar reprecificação patrimonial.

Caixa robusto + reserva de lucros ainda confortável

Mesmo após o reset patrimonial da 8ª emissão, o fundo mantém reserva de lucros em R$ 0,030/cota e caixa total de R$ 414,98 mi (cerca de 24% do PL). Resultado caixa abril = R$ 0,0842/cota vs distribuição R$ 0,0836 — gerando R$ 0,0006/cota de superávit que recompõe a reserva. WAULT renovado para 9,1 anos, o maior da história do fundo, sustenta a previsibilidade do fluxo.

Sustentabilidade dos dividendos

DPS de R$ 0,0836/cota sustentável no médio prazo — payout 99,2% em abr/26 com superávit leve. Com CDB regularizada e caixa R$ 415 mi, o risco de corte imediato é baixo. Guidance floor R$ 0,080-0,082 sinaliza que com 164 mi cotas o piso recorrente é levemente abaixo do DPS atual — Santillana (+R$ 0,003/cota/mês por 30 meses) e parcelas IPG compensam a diferença.

Pontos de monitoramento: (1) Atento renovado -40% custa R$ 267 mil/mês a partir de jul/26; (2) alocação do caixa R$ 415 mi — quanto mais rápido, mais DPS cresce; (3) reserva de lucros R$ 0,030/cota (era 0,043) — buffer menor exige resultado mais consistente.

Status técnico de caixa: levemente superavitário (abr/26) — reserva sendo reconstruída lentamente.

Sobre a gestora

A Alianza Gestão de Recursos é gestora especializada em real estate institucional, autorizada pela CVM desde 2015. Tem track record consistente no ALZR11 desde o IPO em jan/2018, com foco em contratos atípicos de longo prazo (Built-to-Suit e Sale & Leaseback) e locatários com rating mínimo A- ou faturamento anual acima de R$ 500 milhões.

Destaques recentes: inclusão do ALZR11 no FTSE EPRA Nareit Global Real Estate Index Series (dez/2025), desdobramento de cotas 1:10 (mai/2025) que ampliou a base em +36 mil investidores, conclusão da 8ª emissão (R$ 447 mi, abr/2026), entrada em data centers (Scala/RS e Sky/SP) e diversificação para varejo alimentar (Assaí, Oba).

Ressalva 2026: a AGE de 12/05/2026 sugere flexibilização para até 50% do PL em FIIs do grupo (vs 20% hoje) + capital autorizado R$ 10 Bi sem AGE + Oscar Freire típico (quebra do mandato). A comunidade levanta ressalvas sobre conflito de interesse, comparando ao caso VGHF11. Nota reduzida de 8,5 para 7,5 até desfecho da assembleia.

Conclusão

O ALZR11 chega a maio/2026 no melhor momento operacional da história. Após a conclusão da 8ª emissão de R$ 447 mi, o fundo conta com 26 imóveis amplamente diversificados em 12 setores, vacância física e financeira de 0,0%, prazo médio ponderado dos contratos atípicos de 9,1 anos (recorde renovado) e base de 200.008 cotistas. O RG Abr/26 trouxe dois destaques: (1) inadimplência CDB resolvida à vista — locatário quitou todos os aluguéis em atraso com juros e multa; (2) obrigações futuras caíram de 40,1% para 33% do PL com caixa total de R$ 414,98 mi.

Tecnicamente, a cota negocia próximo do Valor Patrimonial (P/VP ~0,98) entregando DY corrente de 9,49% isento. Em 76% dos pregões desde IPO, ALZR negociou acima do VP — patamar atual é janela de entrada antes da reprecificação esperada com ciclo de queda da Selic. As aquisições recentes Fleury Campinas, CD Shopee Ibitinga e Oscar Freire Office somam R$ 0,015/cota de renda adicional.

Os principais catalisadores positivos são: (i) CDB regularizada + caixa R$ 415 mi para novas aquisições acretivas; (ii) obrigações 33% do PL (era 40%); (iii) WAULT 9,1 anos dando previsibilidade longa; (iv) reajustes anuais 100% IPCA; (v) ciclo esperado de queda da Selic. Os riscos a monitorar: (1) AGE de 12/05/2026 sobre 50% de conflito de interesse — pode reprecificar como VGHF11; (2) guidance floor R$ 0,080-0,082 abaixo do DPS atual (diluição temporária 164 mi cotas); (3) Atento -40% no aluguel a partir de jul/26; (4) Oscar Freire (típico) quebrou mandato '100% atípicos'.

Veredicto COMPRA nota 8,0 — um dos melhores FIIs de tijolo do Brasil. Alocação de 5-10% da carteira como núcleo. Para conservadores, aguardar desfecho da AGE 12/05 (votação encerra 27/05) antes de aumentar posição.