(Sparta Fiagro Imobiliário)
Recomendação: COMPRA · Nota 7,8/10 · Cotação R$ 98,78 · P/VP 0,9719 · DY 12m 14,74%
O CRAA11 é o Fiagro da Sparta focado em CRAs high grade do agronegócio, com carteira pulverizada em 123 ativos distribuídos em 22 segmentos distintos, maior posição em 3,3% do PL e +90% dos devedores com faturamento superior a R$ 1 bilhão ao ano.
Desde o IPO em jan/23, o fundo entregou 122% do CDI líquido na cota patrimonial, com última distribuição mensal de R$ 1,25/cota (equivalente a 101% do CDI líquido) e reserva acumulada de R$ 0,39/cota. Carrego atual da carteira é CDI+1,6% a.a. com duration de 2,4 anos.
Os pontos de atenção são o patrimônio relativamente pequeno (R$ 241 Mi, liquidez média diária R$ 0,7 Mi), a exposição a eventos de crédito sistêmicos no agro (Raízen, Agrogalaxy) e a taxa de administração de 1,15% a.a. + 20% sobre o que exceder CDI+2%.
O CRAA11 oferece exposição a uma carteira high grade e extremamente pulverizada (123 CRAs, 22 segmentos) de crédito privado do agronegócio brasileiro, com isenção de IR para pessoa física sobre os rendimentos distribuídos. A tese central é aproveitar o prêmio de instrumento dos CRAs (cerca de 80 bps acima de debêntures incentivadas de risco comparável) combinando-o com gestão ativa disciplinada — evidenciada pela entrega histórica de 122% do CDI.
Com carrego de CDI+1,6% a.a. e duration de 2,4 anos, o fundo é uma alternativa de renda fixa isenta com baixo risco de crédito, apropriada para diversificação de portfólios de renda passiva em cenário de queda da Selic.
A Sparta Administradora de Recursos (CNPJ 72.745.714/0001-30) é uma das gestoras brasileiras com mais tempo de atuação dedicada a crédito privado, com trajetória consolidada em fundos de renda fixa, FI-Infras (como o CDII11 e JURO11) e Fiagros. No CRAA11, a gestão é conduzida por Márcio Takaya, com equipe focada em análise de crédito corporativo no agronegócio.
A disciplina na seleção de emissores fica evidente nos números: em 2025 foram analisadas 49 ofertas primárias de CRA (R$ 33 bi) com alocação em apenas cinco, e no mercado secundário foram negociados 122 ativos distintos (84% do PL em recompras). O carrego médio da carteira é o menor da indústria de Fiagros — reflexo do menor risco de crédito, e não de ineficiência.
Administração pelo BTG Pactual Serviços Financeiros DTVM adiciona robustez operacional. Desde o IPO, o fundo atravessou conflitos (Ucrânia, Oriente Médio), quebras de safra e eventos de crédito no agro sem nenhum caso de inadimplência ou perda definitiva de capital.
O CRAA11 encerra o primeiro trimestre de 2026 com carteira de 123 CRAs distribuídos em 22 segmentos do agronegócio, patrimônio líquido de R$ 241 milhões e distribuição mensal de R$ 1,25/cota — equivalente a 101% do CDI líquido para PF e a um dividend yield de 15,6% em 12 meses. A cota de mercado negocia em paridade com a cota patrimonial (P/VP 1,00), comportamento incomum entre Fiagros que em geral operam com deságio, e reflete a baixa marcação a mercado adversa e a qualidade high grade do portfólio.
Desde o início em janeiro de 2023, a cota patrimonial acumulou retorno de 58,6% (122% do CDI), com a gestão Sparta analisando 49 ofertas primárias em 2025 e alocando em apenas cinco — uma taxa de seletividade de 10% que evidencia a disciplina no risco de crédito. Nenhum caso de inadimplência foi registrado, mesmo em um período marcado por pedidos de recuperação extrajudicial de grandes emissores como Raízen (R$ 65 bi) e Agrogalaxy. O carrego atual é o menor da indústria (CDI+1,6% a.a.), resultado de exposição deliberada a emissores top tier — Camil (Moody's AA+), SLC Máquinas/SLC Agrícola (S&P AA), CMAA (S&P AA), GTFoods (S&P A+) e 3Tentos (S&P AA).
Para o restante de 2026, o guidance de distribuição mínima de R$ 1,20/cota é sustentado por três pilares: reserva acumulada de R$ 0,39/cota, abertura de spreads nos CRAs no pós-Raízen (criando oportunidades de alocação) e Selic ainda em 15% a.a. em março/2026, mas com viés de queda. O risco principal não é individual (concentração está em 3,3% por ativo), mas sistêmico: um novo ciclo de eventos de crédito no agro — especialmente se afetar cooperativas ou o setor sucroenergético, que somam 28,6% do PL — poderia pressionar marcação a mercado. A liquidez diária de R$ 0,7 milhão é compatível com o porte do fundo, mas limita investidores institucionais maiores.