HOFC11 — Hedge Office Income FII
Lajes corporativas em São Paulo. Fundo em desmonte controlado: distribuição zerada desde julho/2024, vendendo o portfólio com prejuízo, vivendo do CRI a pagar até 2032. Em 27/05/2026 anunciou Programa de Recompra de 10% das cotas (até 377.900 cotas, 12 meses) — primeiro buyback da história do fundo.
Recomendação: VENDA · Nota 2,5/10 · Cotação R$ 33,62 · P/VP 0,5855 · DY 12m 0%
Análise e recomendação
O HOFC11 não é mais um FII de renda — é um veículo de liquidação de 2 edifícios em SP. Não paga dividendos desde julho/2024 (23 meses). O resultado mensal é estruturalmente negativo e a gestora declara explicitamente que não há previsão de retorno à distribuição. O Birmann 20 está em vias de venda por R$ 72 Mi, 25% abaixo do laudo — MOU assinado em 16/04/2026. O Morumbi tem ocupação 88% e segura a operação, mas a dívida do CRI (R$ 23,1 Mi, IPCA+7,7% até 2032) ainda consome o caixa. O Informe Mensal abr/26 mostra caixa líquido despencando para R$ 596 mil (-46% em um mês) e -82 cotistas a mais. Novidade de 27/05/2026: a gestora aprovou Programa de Recompra de até 10% das cotas (377.900 cotas) por 12 meses, com compras só abaixo do VP — primeiro buyback do fundo. Tecnicamente cria valor para o remanescente (~R$ 2,71/cota de acréscimo potencial ao VP), mas depende do fluxo dos recebíveis Saliba e Birmann 20 para sair do papel. P/VP de 0,57 não é oportunidade: é o mercado precificando uma liquidação a valor de retalho — o buyback alivia, não reverte.
Tese de investimento
O HOFC11 deixou de ser FII de renda em julho/2024 e virou um veículo de liquidação. A tese atual é apostar que a soma dos pagamentos futuros (parcelas do Saliba até 2028, parcelas do Corporate até jul/2026, parcelas do Birmann até final de 2030) menos a dívida do CRI até 2032 vai dar mais que os R$ 32,50 da cota. O P/VP de 0,57 reflete o desconto de execução: não é ineficiência, é precificação coerente. A venda do Birmann por 25% abaixo do laudo é a métrica honesta do múltiplo de saída deste tipo de ativo neste momento.Para quem é
- Investidor especulativo com tese de soma das partes
- Quem aceita renda zero por 1-3 anos em troca de upside binário
- Perfil arrojado que estuda os fluxos de caixa de cada venda
- Quem entende que o ativo virou um runoff de carteira e não FII de renda
Para quem não é
- Quem busca renda mensal (zero por 22 meses e contando)
- Investidor conservador ou moderado
- Quem assume P/VP < 1 = oportunidade sem analisar o que isso significa estruturalmente
- Quem confia que 'logo o fundo volta a pagar' — a gestora explicitamente disse que não
- Quem precisa do dinheiro nos próximos 24 meses (liquidação demora)
Pontos de atenção e riscos
Programa de Recompra de 10% das cotas — primeiro buyback do fundo
Em 27/05/2026 a Hedge Investments aprovou Programa de Recompra de até 377.900 cotas (10% do total de 3.779.001), com início em 11/jun/2026 e prazo de 12 meses. As cotas recompradas serão canceladas (reduz capital). Condição-chave: compras na B3 a preço de mercado desde que inferior ao VP da cota do dia anterior — funciona como âncora explícita de valor pelo VP. Corretoras: Ativa e XP. É o primeiro Programa de Recompra do fundo nos últimos 3 exercícios.
Análise quantitativa: com cota a R$ 33 e VP R$ 57,42, cada cota recomprada captura ~R$ 24,41 de desconto. Em 10% do fundo (377.900 cotas), o valor capturado é de ~R$ 9,22 Mi, ou ~R$ 2,71/cota de acréscimo potencial ao VP dos remanescentes — efeito relevante num fundo com PL de R$ 217 Mi.
Porém o caixa livre é só R$ 596 mil (abr/26): o programa só sai do papel à medida que entrarem os recebíveis (parcelas Saliba R$ 25,6 Mi em 36x até jun/2028; MOU Birmann 20 R$ 7,2 Mi à vista + 42 parcelas IPCA). É buyback condicional ao fluxo das vendas.
Conclusão: programa bem desenhado, alinhamento positivo da gestora — mas é otimização da saída, não recuperação operacional. Não altera a narrativa de desmonte controlado nem a ausência de distribuição. Para o cotista que já está dentro e não tem saída líquida, é a primeira boa notícia em 23 meses. Para quem está fora, não muda a tese.23 meses sem distribuir um centavo
O último rendimento pago foi R$ 0,21/cota referente a junho/2024 (pagamento em 14/08/2024). De jul/2024 a abr/2026 — 23 meses corridos — o fundo não distribuiu. A política diz 95% do resultado semestral, e o resultado é negativo. A gestora declarou no Relatório Gerencial mar/2026 que não há previsão de reversão. O Informe Mensal de abr/26 (publicado em 12/05/2026) confirmou rentabilidade efetiva mensal negativa (-0,12%) e DY mensal de 0,0000%.MOU para vender Birmann 20 por 25% abaixo do laudo
Em 16/04/2026 a gestora assinou Memorando de Entendimentos para alienar a totalidade do Edifício Birmann 20 por R$ 72 Mi (R$ 7,2 Mi à vista + 42 parcelas de R$ 1,54 Mi corrigidas pelo IPCA). O VPL descontado pelo CDI projetado é ~25% inferior ao laudo de avaliação. Equivale a vender o ativo de R$ 71 Mi de valor patrimonial a um múltiplo deflacionado, espalhando o caixa por 4 anos. Realiza prejuízo contábil mas elimina o problema de vacância — e passa a alimentar o caixa que viabiliza o buyback recém-anunciado.Resultado mensal estruturalmente negativo
Resultado total acumulado mar/2026: -R$ 12,53/cota (12 meses). Em mar/26 isolado: -R$ 0,19/cota. As receitas imobiliárias do mês (R$ 957 mil) não cobrem nem as despesas imobiliárias (R$ 640 mil) somadas às despesas financeiras do CRI (R$ 556 mil). Por design, hoje o fundo opera no vermelho.Birmann 20 com 26% de ocupação e demanda fraca
O Edifício Birmann 20 (Santo Amaro / Marginal Pinheiros) tem 18.076 m² de ABL e apenas 26% locado. A gestora reconhece nos relatórios que a região tem pouca demanda e aluguéis em patamares bastante reduzidos. Foi essa fragilidade que motivou a decisão de vender (com desconto) ao invés de tentar relocar.Dívida CRI Série 288: R$ 23,1 Mi a IPCA + 7,70% até 2032
O Fundo carrega o CRI Série 288 emitido em jul/2020 para comprar o Morumbi: saldo devedor de R$ 23,06 Mi (10,6% do PL) em abr/26 (Item 18 do Informe Mensal Estruturado), taxa IPCA + 7,70% a.a., garantia de alienação fiduciária da nua-propriedade. Amortização original prevista até julho/2032 — começou em ago/2023 após carência de 36 meses. As despesas financeiras consomem em torno de R$ 0,15/cota/mês e seguem corroendo o resultado mesmo com saldo já bem reduzido.Prejuízo de R$ 50 Mi na venda do Saliba sendo apurado em fluxo
Em julho/2025 o Edifício Rachid Saliba foi alienado por R$ 83,3 Mi (sendo R$ 57,7 Mi compensados em cotas do Citadel I FII e R$ 25,6 Mi em 36 parcelas mensais até jun/2028). A operação gerou prejuízo de aproximadamente R$ 50 Mi, apurado proporcionalmente ao recebimento das parcelas. É um prejuízo já sentenciado, sendo digerido aos poucos no resultado — e as parcelas mensais são a principal fonte de capital para o Programa de Recompra recém-aprovado.Caixa líquido despencou 46% em um mês — R$ 596 mil em abr/26
O Informe Mensal Estruturado abr/2026 (ID 1187054) mostra apenas R$ 595.774 nas Necessidades de Liquidez (Item 9), queda de 46% versus mar/26 (R$ 1,097 Mi). Composição: R$ 2 mil em disponibilidades + R$ 594 mil em Fundos de Renda Fixa. A posição em LCIs (R$ 19,56 Mi) é usada para amortizar o CRI mês a mês — não é caixa livre. O caixa operacional cru já não suporta sequer um mês de despesa fixa sem vender LCI. Queima estrutural confirmada — e é exatamente essa restrição que torna o Programa de Recompra dependente do ritmo de entrada das parcelas Saliba e Birmann 20.Cotistas em êxodo: -355 desde fev/2026 (-82 só em abr/26)
O número de cotistas caiu de 4.574 (fev/26) → 4.301 (mar/26) → 4.219 (abr/26) — perda líquida de 355 investidores em dois meses. Em abr/26 a sangria continuou: -82 cotistas em um único mês. Quem fica é quem aposta na venda dos ativos a preço razoável e agora no efeito acretivo do buyback. Quem sai já entendeu que não há renda neste ativo e que cada Informe Mensal piora a fotografia.
Sustentabilidade dos dividendos
O resultado operacional do HOFC11 é estruturalmente negativo. Mesmo em mar/26 com 88% de ocupação no Morumbi, a soma das receitas (R$ 1,11 Mi) não cobre as despesas (R$ 1,32 Mi). O Informe Mensal de abr/26 (publicado em 12/05/26) confirmou a piora: caixa líquido despencou 46% em um único mês (R$ 1,1 Mi → R$ 596 mil), rentabilidade efetiva mensal voltou a ser negativa (-0,12%), DY mensal segue em zero. A gestora declara expressamente que não há previsão de reversão do prejuízo e retorno à distribuição de rendimentos. Para o investidor, isso significa: zero renda no horizonte conhecido. A tese é exclusivamente de eventual liquidação.
Sobre a gestora
A Hedge Investments é uma gestora consolidada e com bom histórico em FIIs maiores (HGRU11, HGCR11, HGLG11). No HOFC11 ela comunica abertamente que o resultado é negativo e não há previsão de reversão — postura honesta. Mas o saldo da gestão deste fundo é desfavorável: o portfólio caiu de 4 edifícios para 2, as duas vendas concretizadas geraram prejuízo, e a terceira (Birmann 20) está saindo 25% abaixo do laudo. A taxa de administração de 0,83% sobre valor de mercado, sem performance, segue cobrada normalmente.
Conclusão
O HOFC11 não é mais um FII de renda — é um veículo de runoff de 2 edifícios em São Paulo. Distribuição zerada há 23 meses, resultado operacional estruturalmente negativo, Birmann 20 sendo vendido 25% abaixo do laudo, e a gestora declarando expressamente que não há previsão de retorno à distribuição. O Informe Mensal de abr/26 (publicado em 12/05/2026) confirmou a piora: caixa líquido despencou 46% em um mês para apenas R$ 596 mil.
O portfólio atual conta com apenas 2 edifícios: o Ed. Morumbi 8.200 (88% ocupação, 74% da receita — peça defensiva do fundo) e o Ed. Birmann 20 (26% ocupação, 26% da receita — em alienação). O MOU assinado em 16/04/2026 para vender o Birmann por R$ 72 Mi (R$ 7,2 Mi à vista + 42 parcelas de R$ 1,54 Mi corrigidas pelo IPCA) é o passo definitivo do desmonte. Concluída a venda, o fundo passa a ser mono-ativo do Morumbi até a gestora decidir o destino final.
A dívida do CRI Série 288 (saldo R$ 23,06 Mi em abr/26, IPCA + 7,70% a.a.) representa 10,6% do PL e gera despesas financeiras de ~R$ 0,15/cota/mês — só essas despesas já consomem boa parte do que o Morumbi é capaz de gerar de sobra após o IPTU. O P/VP de 0,57 (43% de desconto) parece atraente, mas o múltiplo de saída concreto observado nas vendas em curso (25% abaixo do laudo, prejuízo de R$ 50 Mi no Saliba) mostra que o desconto não é ineficiência de mercado, é precificação coerente com a capacidade de execução. A sangria de cotistas (-355 em 2 meses, -82 só em abr/26) é o mercado votando com os pés.