HSLG11 — HSI Logística FII

HSI LOGÍSTICA FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO DE RESPONSABILIDADE LIMITADA (CNPJ 32.903.621/0001-71)

Recomendação: ACUMULAR · Nota 7,4/10 · Cotação R$ 89,9 · P/VP 0,8193 · DY 12m 9,01%

Análise e recomendação

O HSLG11 é um fundo de logística premium em qualidade operacional: 6 galpões AAA, 100% ocupação desde nov/2024, todos a até 30 km da capital mais próxima, com aluguéis ainda abaixo dos pedidos de mercado em SP/MG/PR. O DY de 9,0% sobre cota a R$ 91,63 e P/VP de 0,84 refletem um desconto moderado vs. mediana dos pares (P/VP 0,96), mas o fundo carrega alavancagem relevante: R$ 408 Mi em CRIs (LTV líquido 20,9%) com tranche IPCA+7,68% pesando na despesa financeira. Com guidance de R$ 0,72-0,76/cota no 1S/2026 e payout 12m de 95% (sustentável), o fundo é um tijolo bem-estruturado com perfil moderado para queda de juros.

Tese de investimento

O HSLG11 é um fundo de logística tecnicamente premium: 6 galpões AAA last-mile, 100% ocupação desde nov/2024, R$ 1,389 Bi de PL e DY de 9,0% sobre cota a R$ 91,63 (P/VP 0,84). A tese é simples: renda mensal estável com upside de revisional (aluguéis 25-30% abaixo do mercado em SP/MG), alavancado em CRI (R$ 408 Mi, 91,6% IPCA, taxa média 7,68%) que comprime DPS em ciclo de Selic alta mas libera margem em queda de juros. Em 2025 entregou R$ 8,05/cota (33,2% retorno cotista vs IFIX 21,1%).

Para quem é

  • Investidor que quer tijolo logístico AAA com renda mensal previsível e crescente
  • Quem aposta em ciclo de queda de Selic 2026-2027 e quer fundo alavancado para capturar reprecificação
  • Investidor com horizonte de 3-5 anos para colher revisional em SP/MG
  • Carteira-núcleo de aposentado moderado: DY 9% com guidance R$ 0,72-0,76 dá previsibilidade

Para quem não é

  • Quem busca DY > 12% — a alavancagem CRI achata o cap rate distribuído
  • Investidor avesso a alavancagem (LTV 20,9%) e despesa financeira de R$ 4 Mi/mês
  • Quem quer evitar concentração em poucos locatários (top-3 = 58% da receita)
  • Trade especulativo de curto prazo — fundo é stable & boring por design
  • Quem não tolera risco varejo (Casas Bahia 30,9% + Mercado Livre 13,8% + Bemol 13,5%)

Pontos de atenção e riscos

Alavancagem CRI de R$ 408 Mi (LTV líquido 20,9%)

O fundo carrega 5 tranches de CRI totalizando R$ 408 Mi: R$ 167 Mi em IPCA+7,68% (Bemol Manaus, vence out/2037) + R$ 241 Mi em CDI+2,10% e IPCA+7,85% (BTS Meli, vencimentos 2028-2034). A despesa financeira mensal está em ~R$ 4 Mi/mês (≈R$ 0,32/cota) — depende do CDI/IPCA. Em ciclo de queda de Selic libera espaço; em alta sustentada pressiona DPS.

Concentração em Casas Bahia (30,9% da receita)

O Grupo Casas Bahia (BHIA3) responde por 30,9% da receita do fundo via dois galpões — Contagem/MG (vence jun/2028) e São José dos Pinhais/PR (vence jun/2030). Em abr/2025 a renegociação reduziu o aluguel de Contagem (R$ 35,98 → R$ 30,00/m²) e SJP (R$ 13,00 → R$ 18,50/m²) e iniciou processo para sublocar 38-44% das áreas. O objetivo declarado é diluir a concentração para ~20,6%.

Concentração em poucos locatários (Bemol 13,5%, ML 13,8%)

Casas Bahia + Bemol + Mercado Livre representam 58% da receita em apenas 3 nomes. Bemol Manaus é contrato atípico até out/2037 (vinculado ao CRI), mas Mercado Livre é BTS atípico de 10 anos. Concentração em e-commerce/varejo amplifica risco macro consumidor.

Aluguéis ainda abaixo do mercado nas regiões SP/MG

Em Itapevi (R$ 25,40/m² vs pedido R$ 33,47), Arujá (R$ 24,10 vs R$ 30,00) e Manaus (R$ 27,50 vs N/D) os aluguéis estão materialmente abaixo dos preços pedidos pelo mercado — boa notícia: espaço para revisional em contratos típicos a cada 3 anos. Mas é faca de dois gumes: o gestor precisa executar; sem renegociação, oportunidade fica latente.

Receita financeira de CRIs sob CDI alto (14,75%)

Com Selic em 14,75% e tranches CDI+2,10% e CDI+2,25%, a despesa financeira atingiu R$ 4,0 Mi em mar/2026 (vs R$ 2,8 Mi em fev) — fim da carência do CRI BTS Meli (4) emitido em dez/2025 trouxe pressão adicional. Cada -1pp de Selic libera ~R$ 0,2 Mi/mês (~R$ 0,01-0,02/cota). HSI projeta Selic terminal 13,25% em 2026.

Vacância 0% e cap rate implícito 10,5% (mercado)

O fundo é benchmark do mercado: 100% ocupação desde nov/2024, vs vacância média Brasil A+ de 7,9%. Cap rate implícito de 10,5% (mercado) e 9,1% (patrimonial) — premium sobre Selic 14,75% é fino, mas dimensão de qualidade do portfólio compensa para tese de longo prazo.

Sustentabilidade dos dividendos

O fundo está fazendo caixa: payout 12m de 95% e reserva acumulada de R$ 1,28/cota (~R$ 16 Mi). DPS atual de R$ 0,72 é sustentável e tendência é de alta gradual conforme Selic cai e revisional avança em SP/MG.

Sobre a gestora

A HSI - Hemisfério Sul Investimentos é uma das gestoras imobiliárias mais experientes do Brasil, fundada em 2005, com track record consolidado em real estate. Especializada em galpões logísticos AAA last-mile (raio de 30 km de capitais), o HSLG11 é o veículo logístico da casa. A gestão demonstra disciplina operacional: ocupação 100% desde nov/2024, captação BTS Mercado Livre de 10 anos, CRIs estruturados com taxas competitivas e revisional sistemática. Em jan/2025 a HSI cortou DPS proativamente (de R$ 0,74 para R$ 0,65) anunciando preservação de capital frente ao ciclo de Selic alta — gesto raro de transparência. Em 2025 entregou R$ 8,05/cota (33,2% retorno cotista vs IFIX 21,1%). Endereço: Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1400, 13º andar, Vila Nova Conceição, São Paulo/SP.

Conclusão

O HSLG11 é um dos fundos de logística AAA mais bem-estruturados do mercado: 6 galpões classe AAA com 508 mil m² de ABL própria, 100% de ocupação desde nov/2024, todos last-mile a até 30 km da capital mais próxima. R$ 1,389 Bi de PL, 40.337 cotistas e DPS atual de R$ 0,72/cota (DY 9,0%, P/VP 0,84).

O ponto que separa o fundo dos pares é a alavancagem em CRI: R$ 408 Mi (LTV líquido 20,9%) com 43% IPCA+7,68% (Bemol) e 57% CDI+2,10% (BTS Meli), gerando despesa financeira de ~R$ 4 Mi/mês. Em ciclo de Selic alta (atual 14,75%) isso achata DPS; em queda para 11% (Focus) libera ~R$ 0,02-0,03/cota/mês.

A gestão da HSI tem demonstrado disciplina rara: cortou DPS proativamente em jan/2025 (R$ 0,74→0,65) anunciando preservação de capital, executou aquisição BTS Mercado Livre (10 anos atípico) e tem entregue revisional sistemática. Em 2025 distribuiu R$ 8,05/cota e retornou 33,2% ao cotista (vs IFIX 21,1%).

O cenário-base para 2026-2027 é construtivo: guidance R$ 0,72-0,76 (eventual elevação do piso), ciclo de queda de Selic, revisional Castelo+Dutra (aluguéis 25% abaixo do mercado em SP/MG), expansão BTS Meli concretizada. Riscos são gerenciáveis: Casas Bahia 30,9% mas em sublocação ativa; alavancagem CRI mas com vencimentos longos.